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BEIRA-MAR NORTE: UM NOVO OLHAR PARA AS ORLAS DE FLORIANÓPOLIS

Beira-Mar Norte: Um novo olhar para as orlas de Florianópolis

LUA e Gehl Architects

Florianópolis é uma cidade moldada pela água, mas a relação histórica com suas baías foi profundamente alterada por aterros e infraestruturas viárias que, hoje, atuam como barreiras entre as pessoas e o mar. Com o objetivo de resgatar essa conexão e transformar a orla em um espaço público qualificado, o estudo faz parte do projeto “Floripa Centro: Repensando seus Espaços Públicos para as Pessoas” e serve como ponto de partida para um diálogo essencial sobre o futuro das orlas da nossa capital. 

Atualmente, a Beira-Mar Norte funciona como uma via expressa no coração da cidade. São 11 pistas para veículos que geram ruído e poluição, tornando as travessias inseguras e limitando o uso de um dos nossos maiores bens naturais. Apesar de ser um local vital para lazer e esportes, a orla ainda carece de infraestrutura básica, sombreamento adequado e destinos que convidem à permanência.

A visão para o futuro da orla norte propõe a criação de oito destinos principais ao longo de 6 km, transformando o percurso em uma “sala de estar” para os moradores. As intervenções baseiam-se em quatro pilares fundamentais: até a água, ao longo da água, sobre a água, com a água.

Cada trecho da orla foi pensado para oferecer uma experiência única, valorizando a identidade local, com ideias e diretrizes para serem discutidas e desenvolvidas:

Parque Náutico Walter Lange: Valorização da tradição do remo como esporte náutico com áreas de lazer sob as pontes Colombo Salles e Pedro Ivo Campos e novos píeres. As intervenções principais incluem a revitalização de áreas sob os viadutos para a instalação de uma pista de skate e um anfiteatro ao ar livre. Para fortalecer a conexão com a água, serão instalados cais de madeira e assentos integrados na costa, permitindo a participação ativa e passiva em esportes náuticos. A infraestrutura será complementada com a inclusão de quiosques de alimentação, sanitários públicos, bicicletários, estação de água potável e áreas com paisagismo abundante para proporcionar sombra.

Forte de Santana: Foco no patrimônio histórico e na área sob a Ponte Hercílio Luz, melhorar a acessibilidade e valorizar o uso do espaço como destino cênico e histórico. A acessibilidade ao local será aprimorada com a implantação de um funicular e a qualificação das escadarias para vencer o desnível entre o Forte e o Parque da Luz. O uso do espaço contará com a criação de um restaurante e uma galeria satélite do museu da cidade, utilizando estruturas leves sensíveis ao contexto, enquanto a conexão marítima será fortalecida pela modernização do píer existente para barcos turísticos e pela potencial parada de transporte urbano aquário.

Parque Marina e Rua Esteves Júnior: Um novo parque urbano conectando o Centro Histórico à água, com travessias seguras e corredores verdes, este trecho foca na ligação entre a Rua Esteves Júnior e a orla, tratando um dos principais eixos norte-sul da cidade. Para garantir a segurança, propõe-se a qualificação das travessias de pedestres, preferencialmente ao nível do solo, com tempo de semáforo adequado. Em relação ao desenho urbano, o projeto prevê o alargamento de calçadas com jardins filtrantes para retenção pluvial e a criação de um corredor verde para reduzir o ruído do tráfego.

Parque Marina – Rota dos Jardins: Continuação do projeto Marina, focando na integração com a Praça dos Namorados e a frente urbana. Para promover maior conforto e uso lúdico, o projeto prevê a criação de um corredor verde denso que atua como barreira visual e sonora contra a via expressa, além da transformação de áreas de estacionamento em um parque linear equipado com bancos, vegetação exuberante e elementos lúdicos dispostos ao redor de bares e restaurantes.

Píer dos Sabores: Ampliação da gastronomia e lazer ao ar livre em frente ao Beiramar Shopping, busca equilibrar a oferta comercial interna com atividades ao ar livre. A programação do Píer dos Sabores prevê a instalação de pavilhões para restaurantes e cafés, com áreas externas de mesas e cadeiras que avancem para o espaço público. Para favorecer a aproximação com o mar, serão criadas arquibancadas com vista para o pôr do sol, garantindo maior permeabilidade entre o calçadão e a praia. Por fim, a estrutura esportiva será complementada com vestiários, bebedouros e áreas sombreadas para espectadores, equilibrando a oferta comercial com atividades de lazer ao ar livre.

Píeres da Praia da Pedra Grande: Espaços lúdicos e mirantes avançando sobre a água, em um trecho onde a orla é mais estreita. A proposta expande o espaço físico sobre o mar com a criação de um novo píer com decks estendidos que funcionam como mirantes e marcos na paisagem, a requalificação da Praça Prof. Seixas Neto com áreas de brincar naturais e quiosques com banheiros, e a inclusão de elementos lúdicos integrados ao calçadão com iluminação ajustada à escala humana.

Baía do Pôr do Sol: Transformação de áreas de estacionamento em espaços dedicados à convivência, contemplação e esportes aquáticos, incluindo a criação de arquibancadas para banho de sol, piqueniques e um deck para eventos que se estendem até a água. A infraestrutura de apoio contará com vestiários, guarda-volumes, bebedouros, inclusive para cães, e ciclovias sombreadas, além de um pontão dedicado a futuras conexões de transporte marítimo e a extensão do Jardim das Artes (CIC) para o espaço aberto, com jardins, exposições e áreas para food trucks.

Jardim das Artes – CIC (Arte e Cultura): Focado em integrar o Centro Integrado de Cultura (CIC) à orla, superando o isolamento causado pelo manguezal e pelas vias. A proposta para a Extensão Cultural prevê a ativação do gramado frontal do CIC para a realização de exposições ao ar livre, oficinas, apresentações e a instalação de esculturas lúdicas. Para as atividades sazonais, será criada uma área específica destinada a food trucks com o objetivo de apoiar eventos culturais. Complementarmente, a qualificação ambiental será alcançada por meio do plantio de árvores de grande porte, visando garantir conforto térmico e melhorar a experiência de caminhada ao longo do manguezal.

Este planejamento não é estático. Em março de 2026, um workshop realizado pela Gehl Architects e pelo LUA reuniu 83 participantes e 21 entidades para co-criar ideias e identificar os desafios reais da população.

Acreditamos que criar espaços confortáveis de convivência na borda d’água é fundamental para uma Florianópolis mais humana e com melhor qualidade de vida para todos, reconectando novamente a cidade ao mar.

 

Este projeto é um trabalho realizado pela Gehl Architects em parceria com o LUA, financiado pela ACIF e CDL Florianópolis.